sexta-feira, 31 de março de 2017

Dublin, 30 e 31 de março de 2017

dia 30:

Foi dia de exame na escola. Acho que dessa vez fui melhor. Estou melhorando nesse quesito exames. Na verdade eu falo e escrevo melhor do que sei a gramática. Isso porque aprendi falando, geralmente quando aprendemos falando, sem aprender logo gramática, pode ser algo conflitante no futuro.

Hoje foi dia de teatro. Surpreendentemente se de um lado minha vida profissional está no buraco, com dúzias de nãos, minha parte "artística" vai muito bem obrigada! Eu sou assistente numa peça aqui, não ganho nada por isso (monetariamente falando), mas a experiência tem sido tremenda. Agora ganhei um pequeno papel, sem falas, mas em uma cena, a primeira, vou estar no palco. Não é sensacional? Meu debut nos palcos Irlandeses. Acho chic!

Tenho me preocupado bastante com o Mark. Ele me disse que o pai está em estágio avançado de esclorose múltipla. E como ele me disse que o joelho há 10 anos vem falhando, temo que ele possa ter a mesma coisa. Tomara que não, porque ele só tem 33 anos, mas tem uma possibilidade, já que é um condição que pode ser genética.

Eu me aproximei do Mark porque de certa forma, ele me lembra o Guilherme. Claro que não é igual, o Mark é louro e alto, o Gui é moreno e baixo. Um é professor, o outro engenheiro. Mas quando eu digo que lembra, quero dizer em aspectos: ambos são educadíssimos, são frágeis, sensíveis, têm as mãos parecidas (finas e macias), nasceram no mesmo ano, e têm o mesmo gosto por artes. E calha que o Mark tem um segundo nome, que é William, que significa Guilherme em Português. Não é muito doido isso?

De repente eu estou fadada a ficar com um "William", seja gringo ou brasileiro. rs

Dia 31:

Último dia de março. Hoje vou na escola só para ver minhas notas, na verdade tenho muito que resolver, porque me avisaram agora de manhã que vamos ter que mudar domingo. Sim, isso mesmo. Lá vem roda-viva de novo, mas hoje resolvi ser prática: já comuniquei a escola que vou para a residência estudantil. É um pouco mais caro, mas não gasto com café nem com passagem e nem preciso me preocupar com roupa de cama. Tem tudo lá!

Então, vamos facilitar? Fico lá por 2 semanas e corro atrás de moradia de novo. Afinal, sem emrpego, não tenho como procurar muito. Aqui onde estou é bom, bonito, e em conta, porém, o dono da casa quer vender. Fazer o que?

Hoje vou encontrar com a Elô em alguma hora do dia para ser intérprete dela no GPO. Ela tem documentos importantes para mandar então é melhor estar acompanhada de alguém que fale fluente, no caso eu. Com papelada séria não se brinca!

Depois venho para casa, vou fazer um jantarzinho para mim e para o Mark. Vou cozinhar auqi e levar para lá, para facilitar as coisas. Ele cuida do vinho. A casa dele é legal, tem mesa de ping-pong, muitos jogos, e é fácil de ir e voltar. Só pegar o Dart!

Amanhã tem Maynooth, open day. Mais uma tentativa de bolsa, porque não, ainda não me dei por vencida. Já venci o frio. Porque não vencer a batalha pela bolsa também?

Wish me luck!


quinta-feira, 30 de março de 2017

Dublin, 29 de março de 2017.

E é isso! Cheguei há exatos 2 meses. Se eu fizer uma retrospectiva bem sincera de tudo que me aconteceu, tirado o passeio, e as amizades, nada realmente de extraordinário conta nesse meu intercâmbio que tinha tudo para ser "o" intercâmbio.

África do Sul e França realmente foram as experiências relevantes em termos gerais de experiência no exterior. Aqui sinto que estou apenas existindo e empurrando com a barriga, apesar de tentar diariamente me posicionar aqui. Sabe aquela hora que cansa? Podem achar que 2 meses é pouco, mas nunca fiquei nem um mês desempregada no Brasil, então, 2 meses aqui, tem sido a eternidade e mais um dia.

Fui a aula ontem por puro praxe, já estava recuperada do baque inicial da perda da bolsa, e tinha que levar meu passaporte e pagar a diferença do exame que vou fazer. A agência agendou o Trinity para mim, mas o exame internacional de relevância mundial aqui é o Ielts, então é esse que quero fazer. Eu fiz um trial do Trinity, e não achei complicado. Dizem o que o Ielts é dificílimo. Vamos ver, Eu acho que vou fazer um bom exame, porque em ermos de inglês, óbvio que morando aqui melhorei, criei mais vocabulário, porque falo todo dia, as vezes até comigo mesma.

Depois da aula normal, participei um pouco da aulinha de música, que nada mais é do que um musical meeting, tal qual eu tinha em épocas do CCAA. Cantei 3 músicas e saí. Vou ao cinema, convidei o Mark para ver "Aquarius", e quando digo convidei, eu vou dar o ingresso para ele. Afinal, não é todo gringo que topa ver um filme estrangeiro, com subtítulos.

Antes ele me levou para comer num chinês. Eu disse que estava gostoso por educação, mas já disse para vocês que a comida aqui na Irlanda não tem gosto? Só a feita em casa.

Me deu muito orgulho de ver a sala lotada para em pleno dia de semana ver um filme brasileiro. Legal que o povo aqui realmente abraça outras culturas. Achei o filme longo, podia ser menor, mas é bom. Uma ou outra cena de sexo absolutamente desnecessária, mas grande parte de filme brasileiro não passa sem uma sacanagem, né? Já dizia meu professor de faculdade de cinema, o Marinho: "cinema se faz com roteiro e pelos pubianos". Faz tempo que penso que sim. Mas, em suma, foi um prazer ver "Aquarius" aqui, em terras Celtas.

Acabei chegando super tarde em casa, e a chinesa que divide banheiro comigo resolveu tomar banho na hora que eu ia, resultado que fui dormir 1h30 da matina. C'est la vie!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dublin, 28 de março de 2017

Talvez o pior dia de toda a minha jornada. Muito emocionalmente exaustivo! Dizem que depois da tempestade, a bonança. Eu digo, que depois da bonança, outra tempestade. Após um fim-de-semana bem produtivo e animado, parece que o céu resolveu desabar na minha cabeça de uma vez só.

Como se não bastante a dúzias de "nãos" que tenho recebido dos bons empregos, que só querem contratar stamp 4 (leia-se europeus ou dupla cidadania), e eu sou carimbo 2, vira-lata-100%brasileira, e com muito orgulho, porque eu tenho mais instrução que a maioria desse povo daqui, e falo outros idiomas muito bem, então babaquice!

Brasil é muito tolo de contratar gringo, tinham que fazer o que fazem com a gente aqui, pagar p entrar, pagar pelo visto, pagar caro, e ter emprego merda. O Brasil abre as pernas para esse iletrados e a gente se ferra aqui para conseguir um emprego bacana. Todo emprego é digno, mas eu não vou lavar privada com meu Mestrado e meu MBA. Sorry!

Não fosse isso, uma das bolsa que estou concorrendo me foi negada. Segundo a coordenadora, eu não posso concorrer porque eles querem alguém de letras, e eu sou de comunicação. Só que é uma vaga na área de cinema e literatura, e eu sou formada em cinema, oi? Chorei tudo que podia e não podia, as vezes sem querer, quando eu via, a lágrima já escorria em plena sala, em plena rua. Porque morrer de frio nessa porra de ilha para nadar, nadar, e apodrecer na praia???

Eu estou no último nível de inglês, C2, daqui eu não tenho mais para onde crescer, logo, final de semestre, acabou curso de inglês para mim. Logo, teria que entrar para uma faculdade, o que sem emprego e sem bolsa se torna impossível.

Trouxe uma boa grana para me manter, mas se não for ficar, para que gastar aqui, podendo conhecer todo um continente? Se eu tivesse emprego, minha grana + o salário, eu ia poder fazer mil coisas, mas sem emprego, só posso contar com o que trouxe. Logo, estou segurando o máximo. Saio tão pouco, e para lugares baratos, porque também sem pão e circo ninguém vive.

Logo, agendei minha prova, que seria em agosto, para junho. Se minhas tentativas nesses dois meses não funcionarem, já sei que deixo a irlanda ruma ao desconhecido, mas meu nível de tolerância com frio já deu. Se é para receber não que seja num lugar mais ameno, tipo Portugal. E lá ainda tenho amigos e família, o que é confortante.

Peço desculpas pelo nível de palavrão desse post, mas estava muito decepcionada. Comigo, com os planos que fiz, com tudo que encontrei e laro, não fazia idéia que seria tão difícil, sabia não seria fácil, não sabia que seria massacrante, e é isso que encontrei, uma dolorosa roda-viva.

Agradeço a Elô que ontem foi me encontrar só para conversar e me alegrar (e me dar um chocolatinho), porque amigo é assim mesmo, e ao Mark, que mesmo por mensagem, foi gentilíssimo, e disse que não quer que eu vá. Querido, também não quero ir, mas do jeito que está, não vou me desgastar tendo um mundo de possibilidades por aí.

terça-feira, 28 de março de 2017

Dublin, 27 de março de 2017

Devido ao fim de semana ter sido muito bacana e divertido, dormi muito bem, o sono dos justos, como diriam. Hoje será uma segunda-feira tranquila, só tenho que lembrar de passar no mercado na volta.

De manhã e hora de escrever, fazer trabalhos (quando há), mandar currículos, fazer alongamento, abdominal, um pouco de yoga, tudo quando dá, é minha rotina matinal, enquanto eu só trabalho no teatro.

Saio de casa sempre por volta de meio-dia. Ou levo meu almoço, ou compro pronto num lugar no meio do caminho que o sanduíche que leva queijo, presunto, tomate e pepino junto com uma bebida e uma batatinha frita custam 3,99 ¢. Muito barato! A´, como na escola, antes da aula começar.

Segundas e quintas após a aula geralmente vou ao teatro, tem ensaio, mas hoje por acaso é só para os dois atores principais, então todo mundo foi dispensado.

Tenho um amigo polonês na escola, o Mirek. O Inglês dele não é muito bom, mas já tem até emprego, porque é europeu. Hoje era folga dele no restaurante, e ele ficou curioso para conhecer meu bairro. Então ele veio andando comigo, com a bicicleta do lado.

Passamos pelo Fairview Park, que é pequeno mas muito fofo! Depois ao invés de seguir pela Howth Road, que é minha rua, seguimos pela Contarf Road, que é a rua da praia. Ele ficou super feliz de ver o mar ali, e tem uma ciclovia, então eu entrei para ir ao mercado e cortar caminho para a minha casa, e ele foi embora feliz de bike. Clontarf é um bairro legal, vou sentir saudade daqui quando sair em breve, porque tem ares de Urca (só que gelado).

Comprei um monte de coisas gostosas no mercado e deu só 13 ¢. Comprei pão, leite, pasta de hommus com 3 sabores, presunto, queijo, azeitonas diversas. Comprar para fazer em casa é mais econômico que comer na rua com certeza, no entanto, comer na rua é mais prático. Sinto saudade do Füdi, perto da outra residência. Lá valia a pena os 6¢ pela sopa e mega sanduíche. Comida para 3 refeições.

Voltei do mercado conversando com o Mark. Ele me chamou para dançar na sexta de novo. A questão é que: a) Sábado tenho que ir de manhã a Maynooth ver sobre a bolsa, b) eu não posso ficar virando noite com 40 anos, não faz bem mesmo para a pele, c) ele quer dançar por minha causa, porque ele tem uma condição no joelho que está cada vez pior, e ele tem que operar em abril, não vou fazer isso com o rapaz.

Mudei os planos. O filme "Aquarius" está passando aqui no Irish Film Institute, então chamei ele para ir amanhã, quarta-feira, porque é o dia com melhor sessão (19h30). Foi a melhor idéia. Ele curtiu, então bom para os dois.

Ainda tentei ver mais de "Michael Collins" mas só consegui mais 40 min. O sono bateu. É um filmaço mas termino amanhã.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Dublin, 24, 25 e 26 de março de 2017

Dia 24:

Segundo e último dia do trial para o Trinity Exam. Hoje foi tudo online, então foi mais rápido, e com menos error, porque no computador, você pode retornar e corrigir aquele errinho de escrita, no que no papel, por ser a caneta, você rasura.

Acho que fui muito bem, se o exame no futuro for assim, acho que minha nota vai ser muito boa. Princialmente na parte oral, acho que fui bem, principalmente vendo a expressão da professora do outro lado da linha, ela me pareceu bem animada com meu exame. Vamos ver o feedback próxima semana.

Fui dispensada cedo da escola, e aceitei (ontem eu fiquei, mesmo dispensada, mas hoje estava cansada). Fui para casa. Comprei um chip de armazenamento para meu celular, e bananas lindas numa venda, o cacho por 1¢.

Minha intenção era ficar em casa vendo netflix, mas me chamaram para tomar uma coisa no The Bernard Shaw, que é um bar muito legal em Harcourt, e eu fui. Mas não fiquei muito, só uma horinha. Eu não conheço a maioria dos Pub's de Dublin, porque acredite, são milhões, mas eu sei que esse é um dos mais legais daqui.

Voltei para casa, e dormi vendo uma série no netflix, "Iron Fist" da Marvel, Boa! Vi três episódios antes de capotar.

Dia 25:

Que dia! Que dia!

Marquei com a Elô de retornar ao castelo Malahide, porque quando fomos da outra vez, chovia horrores e estava fechado quando finalmente lá pisamos.

Hoje estava um céu de brigadeiro! Marquei com ela lá, porque Elô tinha um compromisso antes, e eu dei a sorte de ao sair do condomínio, o ônibus estar no ponto. O itinerário do ônibus é lindo! Todo pela orla da zona norte daqui. Que maravilha! Ok que o mar daqui nem de longe é bonito como no Brasil, mas não deixa de ser bonito à sua maneira.

Hoje realmente foi o dia perfeito para ir, que cenário fabuloso com sol! As cores ficam tão lindas, que as fotos que tirei com a Elô nos jardins parecem coisa de cinema. Não teve filtro, nem photoshop, aquelas cores são reais. Parece um cenário de sonho, com árvores centenárias, flores multicoloridas, coelhinhos e abelhas.

Me senti criança de novo, plantei bananeira, virei estrela, subi em árvore. Digo que nunca me senti feliz aqui como hoje (ok, estava frio, mas não preciso comentar isso porque aqui nunca fica quentinho mesmo, ora bolas). :)

Voltamos lá para as 17h, eu desci aqui na estação de Killester (voltei de trem), e Elô prosseguiu até Tara Station. Hoje eu ainda tenho coisa para fazer.

Ok, é um date. Don't get me wrong, mas a vida continua e não mudei de hemisfério para ficar em casa. E foi bem divertido, porque primeiro fomos num bar de vinhos, lugar muito legal chamado Red Banch. Fica num porão, e a decoração é toda vermelha. Achei legal que a proprietária manteve os matinhos que saem de dentro da viga do porão, e mesmo com a decoração toda moderninha, você acaba lembrando que aquele prédio tem centenas de anos.

Eu e o Mark tomamos um vinho italiano que a dona do local sugeriu, e era muito bom, tinto, frutado, seco mas não rascante. Esqueci o nome, vou ver se lembro, para recomendar paa minha amiga Sabrina que tem um blog só de vinhos. Não vou falar do Mark hoje, porque ainda é só um amigo, estou conhecendo.

As 22h30 saímos de lá e eu ia embora, mas como ele é mais novo, tem 33 anos, ele ainda tem espírito jove e me chamou para dançar. Opa! Dos meus! Adoro dançar!Fomos no Globe, uma night que toca anos 80 e 90. Me lembrou muito de casa, de meus tempos de Bukowski. Tá, não tem o mesmo estilo do Buko, mas a vibe é a mesma, então quando vi, eram 4h da manhã e todo mundo estava sendo mandado para casa. hahaha

Ia andar para casa, porque essa hora já não tem mais ônibus e não posso pegar táxi aqui para não estourar o orçamento. Mas ele me deu carna de táxi, porque ele ia pegar também. Só que eu moro na zona norte e e ele na sul. Fi gentil em me deixar na porta, e voltar.

Eu mal dormi, porque na verdade tenho planos para domingo.

Dia 26:

Fui deitar 5h30, e levantei as 9h. Sim, hoje é dia de conhecer Bray e Greystone! Com um domingo de sol como esse, não poderia nunca ficar dormindo e deixar o dia passar. 

Fui com a Elô, minha companheira de aventuras em terras Celtas, Foi muito bom. Bray e Greystones são pequenas cidades perto de Dublin. Fica uma do lado da outra, então o legal é descer em uma, passear, fotografar, e pegar uma trilha em meio ao despenhadeiro perto da linha do trem até a outra. São apenas 6 km e 200 m. Mas como o terreno é acidentado, com aclives, declives e pedras, demora mais que uma cainhada pela lagoa Rodrigo de Freitas (que tem 7 km mas é plano). Que vista!

Acertamos o dia de sol, porém era dia das mães aqui, então, lotado de famílias curtindo o dia da mamãe. Tudo bem. Só foi difícil achar um lugar vazio para lanchar, mas acabamos achando um bem bonitinho em Greystone, onde tomamos um suco que dizia que era fresco, mas era de caixa (ah, propaganda enganosa!), e uma torta de chocolate que era mais bonita que gostosa.

Pegamos o Dart ali para Dublin. Vimos todo o caminho que andamos do trem. bastante! Aqui na Irlanda dá para se divertir gastando bem pouco, tipo a passagem e um lanche, e isso é bom. Tem museu gratuito, cinema com leap card tem desconto, e como não sou de beber muito, e as bebidas são de tamanhos desproporcionais, acaba sendo econômico sair aqui.

O que pega mesmo é o raio do aluguel! Nada é perfeito.



sexta-feira, 24 de março de 2017

Dublin, 22 e 23 de março de 2017

Dia 22:

Estava sentindo falta de escrever, mas acontece que esses dias eu tive um trial para o Trinity Exam, e fui para para isso, então, preparei uma apresentação e tudo mais.

Preparei hoje, saí mais cedo da escola, fui ao banco agendar minha abertura de conta, e aproveitei que é a primavera mais fria que já vi na minha vida para ir para casa fazer o power point da apresentação. Escolhi falar sobre o "Pygmalion", do George Bernard Shaw, porque já estou conhecendo de cor e salteado.

Impressionante como essa casa é fria, e o povo não liga o diabo do heater. Estou com alergia a roupa, ao frio, não aguento mais tantas camadas! Ainda bem que o land lord pediu a casa. Ser obrigada a sair me obriga a me correr e procurar um lugar mais quentinho. Provavelmente vou voltar para a residencia estudantil. É um pouco mais cara mas na ponta do lápis, não tenho despesa nem com passagem nem café da manhã. Bônus!

Dia 23:

Primeiro dia do Trinity Exam. É só um trial para a Universidade saber qual a melhor forma de avaliação, papel ou online. Eu me voluntariei porque é pago, e além disso, testo meus conhecimentos. No dia que tiver que ser avaliada, já sei como proceder, porque eu fui a cobaia.

Correu tudo bem. De manhã reading and writing, de tarde speaking and listening. Desses, eu acho que mando muito mal em compreensão de texto, porque á um lado sombrio do meu cérebro que lê uma coisa e entende outra, então basicamente eu entendo tudo, mas na hora de responder eu viajo legal. Nas demais categorias, me sinto confiante.

O exame acabou cedo, mas apesar de ter sido liberada da aula, eu fiquei, porque lá fora está desanimadoramente gelado, e aquela casa é um saco (mesmo com netflix no meu computador). Ainda assisti uma aula extra de história nacional para poder preencher meu tédio. 

Ainda bem que hoje tem meu jantar semanal com meu amigo Andrea. Foi sopa com bruscheta. Ótimo! Vimos "La la Land" no popcorn, e eu fui para casa dormir que amanhã acordo as 6h de novo.

Eu gostei do musical, achei bem bacana, bem colorido, mas não achei que acrescentou nada para a categoria. É legal, e ponto! E seria um exagero ganhar o Oscar de melhor filme, porque os outros que assisti são infinitamente melhores sim.

Hoje fiquei preocupada com meus dedos. Um deles insiste em ficar cianótico diariamente, devido ao frio. Não há luva que esquente, e é apenas um dedo que realmente me preocupa. Ontem demorou 15 minutos para voltar a ter cor e sensibilidade. 

Acho que quando eu voltar para o Brasil vou nocautear quem falar comigo que ama frio. Já estou avisando aqui, NUNCA FALEM COMIGO QUE AMAM FRIO, porque vai ser uma surra de parar no hospital. Quem avisa amigo é! E quem é meu amigo sabe que eu cumpro a minha palavra. Logo, vou baixar a hooligan que existe em mim no(a) feladaputa que me disser que ama frio. Não estou questionando direito de opinião, estou afirmando que eu não quero ouvir isso. 

De acordo? Obrigada! De nada.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dublin, 21 de março de 2017

Bom dia leitores de Brasil, Portugal e Irlanda! Sim, descobri que tenho um leitor assíduo aqui, que diz não ter tempo de conversar porque está no trabalho, mas tira um tempinho para ler meu blog através do google. Fofo!

Juro que quando ele me contou por mensagem isso, ontem no intervalo da minha aula, me veio um deja-vu de 2012. Em 2012 eu tinha um namorado chamado Marcelo que fazia de tudo para ler minhas mensagens do facebook (ele me hackeava mesmo). Bom, tudo que eu boto no blog, é para ler, não tem nenhuma mentira aqui, talvez um exagero ou outro para o texto ficar mais bacana.

Mas o Marcelo entrava no privado, para catar "cabelo em ovo" e arranjar motivo para briga. Sabe como é, tem gente que não sabe terminar, porque quando alguém termina com você, a pessoa é um vilão e você um coitado de coração partido, Búuuu!

Então, quando o Jason disse ontem que me traduziu aqui, eu só pensei que ele tinha jogado a pá de cal no nosso relacionamento, e tudo que pude responder foi que bom, então não seja dramático e siga em frente. Tenha uma boa vida!

Como meu amigo Dudu disse, não atravessei o atlântico para me aborrecer.

Antes de dormir ontem fiz minhas "pesquisinhas" no facebook e descobri que o Jason mentiu (jura?). Disse que não conhecia nenhuma brasileira. Mentira, achei uma lá, que se saiu com ele, apagou as fotos, mas que conhece, conhece. E, pasmem, ao mesmo tempo em que saía comigo deixava recadinhos fofos em fotografias para uma sino-americana chamada Gwen, com metade da idade dele. Uma foi dia 18 de fevereiro de madrugada. O detalhe é que a gente tinha lanchado e ido ao cinema na noite do dia 17, e ele disse que era "apaixonadíssimo" por mim. Que feio, hein?

A boa notícia para o Jason, é que agora ele pode mandar a mensagem que quiser para a Gwen. E também pode contar para ela todo o rol de mentiras que me contou, como "estou apaixonado", "te amo", "só você me faz me sentir assim", "nunca gostei de ninguém como gosto de você", e por aí vai. Boa sorte par os novos pombinhos!

Hoje eu realmente estava com uma alergia horrível. Meu nariz não parava. Uma cachoeira! Fui na farmácia e comprei um anti-estamínico que levanta até defunto, porque me nariz melhorou em segundos. Deu até barato!

Depois da aula conversei um tiquinho com o Matheus, um rapazinho do sul do Brasil que é muito boa praça, eu gosto de conversar com ele. Foi ele que avisou minha mãe do roubo do celular. Ele me disse que não pretende ficar na Irlanda. Disse para ele que se eu não ganhar bolsa, nem eu. Realmente, minha permanência aqui depende da bolsa. Já enviei o pedido de uma universidade, a próxima farei no dia 1° de abril, direto na outra universidade, porque vai ter um open day.

Ontem eu jantei com a Elô, nossa janta semanal. Bate-papo em dia, e aquela sensação que tem alguém aqui que gosta de você. Longe de casa, precisamos mesmo de amigos do peito. Viva a Elô!

Voltei para casa de ônibus, estou muito alérgica para pegar friagem, e nunca vi uma primavera mais fria que o inverno. Vai entender!