segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dublin e Rush, 3 e 4 de junho de 2017

Dia 3:

Dia da famigerada prova! Estava muito preparada, concentrada e descansada. No entanto, o pior aconteceu. Eu bloqueei na hora do reading.

Essa prova é nos moldes de concurso, seus pertences ficam guardados e os examinadores são só olhos para movimentos suspeitos. Um clima de tensão e terror dignos de filme, não minto! Mas nem precisava disso porque com tempo cronometrado é impossível colar.

O listening foi fácil. O que veio na sequência foi uma profusão de erros. Não há tempo hábil para o reading. Você tem que fazer uma leitura dinâmica ou o tempo acaba e ainda está no primeiro texto. Só que a leitura dinâmica não dá a dimensão do que está lá, então ou você responde tudo no supetão (e erra), ou responde correto e não faz um dos textos. Muita gente me disse que eu tinha que praticar. Se eu ler mais eu enlouqueço. Eu fiz o curso e eu leio bastante. E tem gente que nem sabe o que é a prova e dá palpite que eu deveria ler mais. Vai lá fazer, bocão!

As redações tinham temas tranquilos, e até no gráfico, que geralmente sou péssima para comparar, meu texto fluiu. Na segunda tive uma trava de vocabulário. Fiz nos moldes do que a banca quer, mas podia ter ficado bem melhor. muito aquém do que eu poderia desenvolver.

Tive uma pausa para o almoço, e tomei uma tacinha de vinho e comi nachos. A sensação de que não fiz meu melhor ainda estava lá, mas quando fui fazer a prova oral me senti melhor porque domino. Não tive dificuldades ali, mas sei onde minha nota vai despencar.

Precisava de abraço. O ruivinho se ofereceu para ir me abraçar, mas tinha combinado com o irish do "paraguay" de tomar uma pint. Aqui todo mundo vai pensar, "opa, dois?"! Não, mas conhecer as pessoas não tem problema. Eu não estou em relacionamento, mas se me perguntar, sim eu quero um xodó. E para ter um xodó é preciso conhecer as pessoas.

Foi difícil encontrar o ser humano. Meu celular ficou sem créditos exatamente na hora que ia tomar a cerveja, e estava usando o wifi do IFI para me manter conectada. A questão é que ele ficou perdido e me disse para ir até ele. Mas no meio do caminho disse que estava indo até mim quando eu já tinha ido para lá. Afff! Mas deu certo. Como alguém se perde num país desse tamanho tendo vivido nele a vida toda? Hahaaaaa XD

O rapaz não é do "paraguay", mas brinco que ele é porque não tem aparência de Irlandês. Tem olhos castanhos e quando pega sol fica bronzeado, não queimado. Não tem a pele alvinha que o povo tem por aqui. Ele achou minha brincadeira engraçada, quando eu disse que ele era "made in china".

Primeira vez que tenho dificuldade para entender o sotaque de alguém. Aquilo não parece inglês, parece um amontoado de sons, o que me fez pensar que é um bom treino para o ouvido, porque contando que é uma pessoa de outro condado, acaba treinando para qualquer acento. Engraçado que o ruivinho também é de outro condado, mas é um inglês claro para ouvidos estrangeiros.

Ele me deu carona. Nada aconteceu (I mean it) mas parece ser uma pessoa legal.

Dia 4:

Tem alguma coisa com essa cama ou quarto que eu não consigo ficar muito tempo deitada. Mas pode não ser a cama, pode ser um conjunto de coisas. Mas não sei explicar porque estava cansada, poderia ter dormido mais.

Eu pensei em fazer uma viagem para Cork para visitar a Andrea, ela me convidou. Mas tenho certeza que não vou sair no horário que costumo sair, e como são 3h de viagem, melhor ir num dia com mais tempo para aproveitar. Ok, no Brasil tudo é longe, o que são 3h lá? Mas eu tive uma semana dura, estresse da prova, estresse de várias coisas. Segurei a barra, então mereço uma pausa de qualquer aborrecimento.

Ruivinho me convidou para ver "1984" e achei legal. Baseado na obra de George Orwell, o filme ainda é bem atual. Retrato do mundo e da sociedade. A sessão é as 20h30, mas se eu não pegar o ônibus até às 17h30 eu não cego.

Fiquei preocupada e por um momento achei que não ia chegar. Ele cogitou devolver o ingresso ou chamar outra pessoa quando aos 45 de segundo tempo o povo adentrou a porta aqui, bem a tempo de eu pegar o ônibus de 17h30 (sério, faltavam 3 minutos). Estava comendo um bolinho, deixei de lado peguei a bolsa e fui. Nem escovei o dente nem fiz pipi.

Esse ônibus não é direto mas me leva até outros. Consegui chegar em Dublin às 19h. Ufa! Peguei o comércio fechando mas ainda deu tempo de colocar créditos no celular (top it up, man). Desde ontem estava aflita com esse telefone. Ficar dependente de wifi é uma droga. Na hora que você precisa, pode não ter.

Achei legal ele me convidar para um filme como esse, mas também achei que ele podia ter facilitado para mim. De Rush para Dublin de ônibus são 60 minutos. No meio do caminho tem a cidade de Swords, que tem cinema, e tem um shopping já em Dublin chamado Omni que também tem cinema. Eu teria chegado bem mais rápido nesses.

Mas tudo bem, valeu a sessão. Mas não pude ver o final do filme ou perdia o último ônibus. Contando que não fui convidada para ficar (povo lento, sô), não posso perdê-lo.

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