sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Dublin, 10 de fevereiro de 2017

Realmente pulei o dia 9 de fevereiro, porque não tinha muita coisa relevante para contar. Foi um dia normal de estudo e nada mais. Isso pode acontecer algumas vezes. Todo diário pula algum dia, quando absolutamente nada fora do extraordinário ocorre.

Vamos diretamente para o dia 10. Véspera de eu me mudar. Bem, tirando o fato de que eu não tenho para onde ir, a sexta-feira transcorreu normalmente.

Não sei se eu comentei, mas como eu procuro as vezes dar uma volta com o pessoal da escola mesmo que por uma breve hora após o horário, eu conheço gente. Numa dessas rápidas saídas conheci um engenheiro irlandês chamado Cionn (lê-se Kíon). Aqui na Irlanda, nome de homem que começa com C tem som de K, e de mulher tem som de C mesmo, ou seja, se o cara se chama Cillian, você lê Kílian, mas se for Célia, é assim mesmo que se lê. E não pergunte o porquê, porque eu já perguntei e não tem razão semântica lógica. It is what it is!

Voltando ao Cionn. Por se tratar de um homem extremamente bonito e eu estar absolutamente solteira nessa terra gelada, dei meu whatsapp para ele (meu telefone pessoal Irish só minha mãe e o Father John têm, ninguém mais), e precisamente às 9h da manhã o moço bonitão me ligou para me chamar para o almoço. Um almoço não se recusa mesmo, ainda mais quando se está contando as moedinha de euro. Se for uma pessoa interessante, aí é obrigatório ir. :)

Já que minhas aulas começam às 13h30, marcamos às 12h30 perto da escola para eu não me atrasar depois. Até porque, se a companhia fosse ruim, eu saía correndo. Acontece que a companhia não é em nada ruim, e 1h foi pouco para tanto assunto.

O fato é que eu tinha aula, e ele que trabalhar, então cada um seguiu seu rumo, Entrei na escola, escovei meu dente antes da aula, mas ao entrar na sala, vi uma mensagem no meu celular: "Foi ótimo o encontro! Vamos nos rever!" Ah, que fofo! Além de bonito, simpático, também é gentilíssimo. Palmas!

Aula normal, com professor diferente. Às sextas não é o Neill, mas uma professora, que é até brasileira (olha só povo arrasando aqui fora). Quatro horas de texto e redação. Não sei os outro, mas eu adoro, porque meu forte é escrever mesmo, e ter vocabulário é tudo que busco.

Se bem que em termos de vocabulário, se aprende mais fora da escola que dentro da escola. Exemplo, conheci a palavra Brill, que nada mais é que um diminutivo para Brilhant. Não paro mais de usar agora.

Bem, saí da escola e fui tomar um Chai Latte na Füdi, minha delicatessem favorita aqui. Já estou chapa do Bruno, o atendente (brasileiríssimo, óbvio), mas falamos em inglês. Trocamos uma idéia, e diferentemente de mim o Bruno veio temporariamente só para aprender inglês mesmo porque ele tem um bom emprego no interior de São Paulo. Interessante que ele optou trabalhar num café que numa empresa, exatamente pela flexilidade do horário e o valor do salário ser parecido. Bom saber que realmente você é remunerado aqui, numa micro ou grande empresa. Que venha meu visto para que eu possa trabalhar.

Mas não vislumbro cafés ou restaurantes, apesar de não ver problemas em nenhum deles. É que as portas têm se aberto para mim em outras áreas, como teatro e dança. Meu professor Roy reforçou hoje que devo fazer o teste para a peça "Pygmalion", e vai ser na segunda. Independente de passar ou não, sinto que vai ter algo no teatro para eu fazer, e isso muito me interessa. O Leeson Park Players é uma companhia de teatro bem antiga e querida aqui na cidade, logo, trabalhar com eles será muito gratificante.

Minha amiga Niav, que está no Brasil, me mandou o contato do Peter, que também está no Brasil que por sua vez me deu o contato da Maren, essa sim, que está aqui em Dublin e tem um grupo de dança. Olha que bacana! Não consegui falar direito com ela porque de manhã ela estava trabalhando, e de noite ela estava dançando salsa. Mas vou conseguir.

Acaba que realmente fiquei sem casa, já tinha até gente se mudando para meu quarto, então não tive outra alternativa a não ser me mudar para a casa do Andy, meu amigo italiano muito louco. Ok, doidinho mas de bom coração, porque me deu um sofá, um teto, comida italiana de primeira, vinho e limoncello. Assim fico mal acostumada. Minha mãe  não ficou muito fã da idéia de eu morar duas semanas no sofá de um rapaz, mas se ela soubesse o frio que faz e a dificuldade de achar um bom aluguel aqui, ela não iria ficar nem um pouco chateada. Está certo, ela já se acostumou com a idéia. E não tinha outro jeito mesmo, estou morando no sofá da casa do Andy, e tem televisão, e fica meia-hora a pé da escola. Logo, estou bem até achar um lugar fixo.

Mas, por ser minha primeira noite aqui, estou com uma mega insônia, então estou acordada desde as 4h da manhã escrevendo. Bom, eu vim para Dublin para aprender e escrever, então, dos males o menor, e amanhã (ou seja, hoje, porque daqui a pouco amanhece) é sábado, e sábado eu não tenho planos. Ainda!

Nenhum comentário:

Postar um comentário