quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dublin, 11, 12 e 13 de abril de 2017

Dia 11:

Confesso que não dormi bem. O Mark não está acostumado a dormir com ninguém, então ele simplesmente vira de costas e dorme. Sem abraço, sem cafuné, e latinos gostam de um chamego não é, então, não é bom dormir “desgrudado” principalmente num lugar frio.
Sinto minha garganta, acho quer foi o banho terrível que tomei ontem, porque novamente o chuveiro estava quebrado. Descobri que os coreanos são coreanas. Que lindo! Meu namorado divide a casa com três garotas na casa dos 20 anos. Xuxu! Nem vou falar nada, abstraí.
Vou para Londres segunda-feira. Foi o único lugar barato que sobrou. Ok, lá é caro, digo passagem barata. Como eu fui a última das moicanas a comprar uma passagem para o feriado de Páscoa, só me restou o país vizinho.
Mas vai ser legal, já combinei de jantar terça-feira com a Julia e o Eric, que conheci em Foz do Iguaçu. E no mais, vou andar a cidade toda e me jogar no primeiro hostel que aparecer. Só vou levar minha mochila pequena e duas mudas de roupa. Não preciso mais que isso!
Óbvio que preferia ir com meu namorado, mas ele vai trabalhar, então eu vou eu mesma. Até porque acho que vou me divertir mais sozinha. Geralmente me divirto bem sozinha, mas com 40 anos confesso que queria uma companhia. As pessoas namoram, mas algumas não sabem o sentido de amizade e companheirismo dentro de uma relação. Nisso tenho que tirar o chapéu para meu ex-marido, e para o Guilherme, que estava sempre presente. Aliás, o Guilherme é presente, porque como nossa amizade continuou, ele sempre pergunta como está, fica preocupado. Ele não quer namorar comigo, mas ele é amigo e companheiro, ele sabe que mesmo distante, é bom ter uma pessoa se preocupando comigo que não seja só minha velha mãe.
Como eu já namorei gente de outros países antes, digo que meus melhores namorados foram brasileiros, e um israelense, que eu quase casei com ele inclusive. Mas, não importa a nacionalidade, carinho e atenção é o que basta.
Hoje teve ballet, fui com Father John. Esse meu tio (já posso chamá-lo assim) é sempre uma companhia agradabilíssima. Gosta de cultura como ninguém. Mas assistir ao ballet me fez ter certeza de que preciso continuar o ballet. Meu corpo sente falta e minha alma mais ainda.
Voltei no ônibus com a certeza que após o feriado de páscoa vou procurar um grupo de dança urgentíssimo.
Dia 12:


Não tem internet! Como postar meu dia de ontem e de hoje¿ Só com paciência. Já avisamos a companhia telefônica. Acordei com a garganta meio mal, e aqui na Irlanda já aprendi que se ficar um pouco mal, é melhor repousar um dia, que perder vários.

Como fiquei em casa, escrevi meu projeto de mestrado, e fiz yoga. Lavei a cabeça também, cozinhei uns legumes para mim e para a família.

Tudo estava indo bem até que algo muito desagradável aconteceu. Não vou comentar, porque tem pessoas que merecem um texto de descontentamento, e outras que merecem o puro esquecimento. Esse é o caso. Bem que dizem que quando você fica melhor financeiramente as vezes seu lado amoroso despenca. Esse despencou feio até o lodo do poço do nada. Pure Oblivion! In the most deepest puddle!

Dia 13:

Hoje acordei cedo para abrir minha conta e surpresa!!! O ônibus quebrou, e eu cheguei atrasada, mesmo avisando, e não abriram minha conta, deixaram para 15 de maio. Sim, maio!!!

Fui para a escola, antes comprei um lanche. Ainda bem que a super Elô buscou meu relógio, porque se olhasse para a cara do ser desumano ia quebar-lhe os dentes, porque é o que um covarde sem caráter merece. Sem mais sobre esse dispicable.

Ainda bem que o Guilherme é um amigão e disse para eu não me preocupar com opinião de gente baixa, porque ele sabe quem eu sou e meu valor. E como o Gui é minha referência de homem, obrigada! Que bom que tenho você, e a Elô, e a família que me acolheu, e meus familiares e amigos no Brasil.

Voltei para Rush feliz que amanhã é dia de baby sitting. So long, Dublin!

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