Meus dias de conto de fada teatrais estão no fim. Hoje é o último dia da peça. Ontem eu estav certa em ficar triste de não agradecer no final porque tinha que pegar o ônibus: foi o dia que a platéia estava mais receptiva. Se foi alguém da escola, e que só vi uma hoje, firam ontem e eu não estava para dar oi.
Paciência. Odeio ser pessimista e ficar contando misérias, mas é mais uma para as dezenas de coisas que me faz odiar esse país: eu não consigo fazer as coisas aqui. Quando não é a imigração me proibindo de tudo e reclamando de eu faltar um dia, fazendo minha estada aqui diariamente desagradável, é o fato de quando eu faço algo bacana não poder colher meus frutos.
Já disse, o aplauso é nossa recompensa. Não ganhamos nada com a peça, todo o dinheiro arrecadado foi doado para a associação que cuida do Mal de Parkinson. E apesar de toda essa filantropia de nossa parte, o que mais vejo é nego querendo me roubar.
Já foi meu celular em março, o ônibus as vezes rouba na tarifa do leapcard se nao estiver de olho, o pessoal do transfer cobrando o olho da cara, a ponto de uma viagem de ida e volta para outro paí (isso mesmo que você leu) ser mais em conta que um táxi muitas vezes.
Hoje, por exemplo, eu fiquei para a confraternização. Foi difícil achar um táxi para me trazer. O rapaz que me traz estava ocupado, e me passou para um monte de gente metendo a mão. Competimos hoje com o show do Guns n' Roses, e provavelmente entrou uma taxa de show ali na tarifa. Acabei percebendo que o prudente era pegar um táxi até o ponto de ônibus do noturno, que saías as 2h e 4h da manhã.
Marquei a 1h30 com o motorista brasileiro, e ele atrasou. Eu perdi o ônibus das 2h!!! Claro que votei para a festa, falei para ele que ele me fez perder um ônibus que tinha perdido a corrida também. Estou muito possessa porque me desculpem, é esse tipo de lixo que consegue uma double citizenshit (é, remeti a merda mesmo) e fica, e eu que estou fazendo algo bacana, que alegra as pessoas, colaborando com a caridade, e ainda fazendo amizades com os nativos, tenho que ser tratada mal pela imigração e cobrada presença na escola com 40 anos!!!
Eu me sinto realmente muito mal na Irlanda. Conto nos dedos os brasileiros que não são ralé. Conheço alguns esforçadíssimos, mas não cabe em das mãos. A maioria é o cocô do cavalo do bandido, que reclama que não teve oportunidade lá no país, mas dá para ver que nem estudou para ter essas oportunidades, e vem para cá custa sei lá de quê. Fica se sentindo europeu, mas nem fala inglês ( não minto) nem tem amigos nativos. Quer saber? Venham todos, quem sabe quando eu voltar essa raça toda imigrou e a gente que é competente consegue fazer o Brasil ir para frente sem essa escória.
Se alguém vestiu a carapuça aqui e se ofendeu, não sinto muito. O desabafo é meu!
O pior é que tenho realmente a sensação que esse povo que atravanca meu caminho, atrasando, ou não falando comigo, ou whatever, fica muito sentido que eu consigo fazer as coisas aqui apesar do meu stamp 2. Como eu falei a pouco, capacidade vai além de um passaporte, meus queridos. Felizmente para mim e infelizmente para vocês, eu me preparei bastante para fazer as coisas certas em qualquer lugar do planeta. E mesmo que eu não fique, pelo menos deixei uma marca, fiz por onde!
E você, o que fez para melhorar qualquer coisa que seja hoje?
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